Setembro Amarelo: morrer ou parar de sofrer?

Neste mês de Setembro, contemplamos a Campanha de Prevenção ao Suicídio, o chamado Setembro Amarelo, um movimento lindo de conscientização, que desmistifica e mobiliza as pessoas sobre um tema tão delicado e que foi tabu por tanto tempo.

Vamos falar sobre suicídio?

Segundo o Prof. Dr. Neury J. Botega, referência em psiquiatria na UNICAMP, a grande maioria das pessoas que cometem a tentativa de suicídio relatam que não queriam acabar com suas vidas, e sim acabar com o sofrimento. Foi num momento de desespero, no qual não viam outra saída para suas dores, que tomaram tal atitude. O professor aponta que 50% das pessoas conseguem atingir seu objetivo no momento de desespero na primeira tentativa. É muita coisa!

São muitas pessoas que por desesperança, desamparo, desespero, depressão, dependência química, chegam ao ponto de tirar suas vidas, sem que essa fosse sua real intenção. É preciso um olhar amoroso e delicado com nossos amigos, pacientes, familiares, que demonstram esse estado de desamparo.

O pensamento Dicotômico: ou tudo, ou nada! “Ou ela fica comigo ou prefiro morrer!” é fruto das idealizações, dos modelos e crenças que nos foram passados vida afora e nos quais acreditamos, mas que nem sempre refletem a nossa realidade, possibilidades e até mesmo nosso real desejo. Resultado: mágoas culpas, dores emocionais.

A dor na alma da pessoa, o sofrimento psíquico são tão grandes que ela passa por um estreitamento cognitivo, uma constrição e não consegue mais pensar, raciocinar e encontrar formas de lidar com a situação dolorosa. Desesperado, o suicida não pensa em mais ninguém… Isso é resposta às perguntas tão sofridas dos familiares que ficam: “será que ele não pensou em nós?”

Eu, como psicanalista, por muitas vezes considerei algum exagero na medicação e que muitas vezes o uso de psicofármacos evitava o contato do paciente com suas dores, o que de fato, às vezes acontece quando o uso fica restrito a tornar-se barreira de contenção de dores emocionais. Mas hoje revejo minha postura e acredito que em situação depressiva o paciente deve sempre buscar a ajuda do médico e, paralelamente, fazer seu trabalho psicoterapêutico, pois são tratamentos complementares e funcionam muito bem juntos. Conforme o paciente melhora, o médico revê o tratamento. O paciente medicado tem mais condições de enfrentar suas dores e assim poder trabalhar seus conteúdos conflitivos em terapia, libertando-se deles.

Cada caso é um caso. O médico ou o terapeuta têm condições de avaliar e orientar o paciente para o tipo de ajuda que ele precisa.

Os estudos mostram que o suicídio no mundo cai, mas em alguns países sobe e, infelizmente, o Brasil é um deles. Estudos também mostram que em 80% – e alguns trabalhos falam em até 100% dos casos de tentativa de suicídio – os pacientes estavam adoentados da mente, seja por depressão, transtorno bipolar, transtornos de personalidade, etc, e estes são fatores predisponentes importantes.

O importante é buscar ajuda! Sempre! Antes que a dor aperte a ponto de não nos deixar pensar.

Alguns fatores da vida também podem ser precipitantes, como desilusões amorosas, problemas financeiros, vergonha, desonra, conflitos relacionais e, dependendo da resiliência de cada um, a dor é maior ou menor. Traumas e abuso na infância têm peso enorme!

Em se tratando dos adolescentes, sua impulsividade natural, ligada ao abuso de substâncias, eleva o número de tentativas de suicídio nesta idade tão conflituosa,  na qual eles encontram-se 50% imersos em confusão hormonal e 50% sujeitos às cobranças de aceitação do grupo. É uma fase trabalhosa!

Diante de tudo isso, é preciso um olhar amoroso e delicado com nossos amigos, pacientes, familiares, que demonstram estar neste estado de desamparo, que mencionam acabar com a própria vida como solução dos problemas.  Não devemos ignorar um apelo desses. Esse amigo com certeza está em grande sofrimento. Façamos ao outro o que gostaríamos que nos fizessem. A vida está cada vez mais estressante para a maioria das pessoas e a saúde mental e fundamental!

Eu Sem fronteira – Escrito por Monica Marchese Damini


Dafne da Veiga Ribas

Ariana, mãe, nutricionista, espiritualista, diretora comercial na Rádio Cidade Maracaju e Jornal Maracaju Hoje e administradora do perfil @viver.em.harmonia no Instagram