Soja recua em Chicago nesta 5ª feira já sentindo o clima mais favorável à colheita no Corn Belt

No pregão desta quinta-feira (18), os futuros da commodity cediam entre 6,75 e 7 pontos nos principais vencimentos, com o novembro/18 de volta aos US$ 8,78 por bushel

Os preços da soja recuam hoje na Bolsa de Chicago. No pregão desta quinta-feira (18), os futuros da commodity cediam entre 6,75 e 7 pontos nos principais vencimentos, com o novembro/18 de volta aos US$ 8,78 por bushel. O maio/19 ainda se sustetava acima dos US$ 9,00 e era cotado a US$ 9,18.

O mercado internacional intensificou seu movimento de baixa, segundo explicam analistas internacionais, depois que as condições de clima para o Corn Belt começaram a se mostrar mais favoráveis para a retomada do ritmo da colheita. Além disso, as previsões para os próximos dias também já mostram um cenário mais confortável para os trabalhos de campo no país.

As adversidades das últimas semanas foram importante fator de suporte para as cotações em Chicago, porém, exerceram um efeito bem pontual. A mudança no quadro acaba, portanto, trazendo a volta do recuo na CBOT.

Também nesta quinta, os traders voltam suas atenções às novas informações de demanda – que também têm sido bastante importantes nos últimos dias – com a chegada do novo reporte semanal de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As expectativas do mercado variam de 600 mil a 1 milhão de toneladas para o grão, de 150 mil a 450 mil para o farelo e de 5 mil a 25 mil para o óleo de soja.

No paralelo, permanecem as preocupações com a China. A guerra comercial continua e a negociações entre os dois países nesta semana foram, mais uma vez, paralisadas e voltam a preocupar o mercado internacional.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja: Mercado no Brasil tem novo dia de pressão nesta 4ª e continua sentindo peso do câmbio

Os preços da soja voltaram a recuar no mercado brasileiro nesta quarta-feira (17), acompanhando ainda a baixa do dólar frente ao real e a pouca movimentação das cotações na Bolsa de Chicago. As baixas no país, porém, foram pontuais e os negócios, por sua vez também seguem pontuais, com um ritmo mais lento assumido.

No interior, as cotações chegaram a perder até 3,75%, como foi o caso de Rondonópolis, em Mato Grosso, ou Alto Garças, onde os preços cederam 3,80%. Em ambos os municípios, a saca de soja encerrou o dia com R$ 76,00. Na praças do Rio Grande do Sul e do Paraná, as cotações também orbitam próximo desse patamar.

Nos portos, o destaque ficou para o produto disponível em Paranaguá, que subiu 0,55% para R$ 91,50 por saca, enquanto a safra nova recuou 2,41% para R$ 81,00. Em Rio Grande, estabilidade para o spot e para a referência novembro/18, com os indicativos em R$ 92,00 e R$ 94,00 por saca, respectivamente.

Segundo explica o diretor da Cerealpar e consultor do Kordin Grain Terminal, de Malta, Steve Cachia, o momento é de ajuste de preços e de uma postura, de fato, mais reticente por parte dos produtores na comercialização. “Eles aguardam para saber se essas baixas são pontuais ou se irão se estender por mais tempo, principalmente, no dólar”, diz.

Assim, Cachia acredita que haja cerca de 20% da safra 2018/19 já comercializada no país, com as vendas sendo lideradas pelo Mato Grosso e, na sequência, pelo Paraná. “Mas poderia estar mais adiantada”, diz o executivo. A evolução dos negócios dependerá agora, além de seus fundamentos, da realidade de cada região produtora.

“Será preciso acompanhar o câmbio e a possiblidade de um acordo comercial entre a China e os Estados Unidos. Esse é o fator principal no mercado da soja neste momento”, completa o diretor da Cerealpar. Além disso, estão todos de olho no momento de entressafra na América do Sul e colheita nos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira, a moeda americana fechou com novas baixas e registrando seu menor patamar em cinco meses frente à brasileira. O dólar recuou 1,02% para fechar com RS$ 3,6822. Em três sessões nesta semana, a divisa já tem baixa acumulada de 2,56%.

“Acredito que a vitória de Bolsonaro já está no preço e que o piso está entre 3,65-3,70 reais. Não vejo fundamento hoje para o câmbio em 3,60-3,55 reais”, disse a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte à Reuters.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, os preços da soja finalizaram o pregão desta quarta-feira com estabilidade e oscilações bem limitadas. As posições mais negociadas subiram entre 0,50 e 1 ponto. O mercado trabalhou nesse ritmo durante todo o dia.

Assim, o contrato novembro/18 ficou com US$ 8,85 por bushel, enquanto o maio/19 – referência para a nova temporada do Brasil – segue acima dos US$ 9,00 por bushel, e encerrou o dia valendo US$ 9,25.

Também como explica Steve Cachia, o mercado internacional espera por uma novidade que seja forte o bastante para tirar o mercado de tal estabilidade. E para o executivo, uma mudança significativa na trajetória do mercado só viria de alguma notícia sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

“O fator China ainda é o principal do mercado e pode mudar o andamento dos preços em Chicago. Acredito que haverá um acordo entre os dois países, só é difícil sabermos o timing disso”, explicou o analista.

Além disso, as condições de clima para a colheita nos EUA começam a se mostrar mais favoráveis nos próximos dias, o que ajuda a pressionar, ainda que levemente neste momento, as cotações.

Fonte: Portal do Agonegocio